Por: Luiz Fernando Ramos Aguiar

A visita de Flávio foi muito mais do que imaginavam os mais influentes e poderosos sacerdotes do lulismo. Depois de dias debochando, duvidando da oficialidade do evento e menosprezando sua importância, os adoradores do governo do PT foram obrigados a engolir os próprios deboches e reconhecer a derrota.

Mas o que, para eles, representa uma derrota, para a maioria da população é uma vitória histórica.

Afinal, o reconhecimento do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas permitirá ao governo americano sancionar e bloquear bens de qualquer empresa ou pessoa que tenha envolvimento com essas facções narcoterroristas. Ou seja, o pessoal que lava dinheiro e permite que criminosos transformem suas atividades ilícitas em lucros concretos poderá, finalmente, enfrentar um adversário à altura.

Os engravatados da Faria Lima ligados ao crime organizado estarão, enfim, sob a mira de uma autoridade que eles realmente temem.

E talvez seja exatamente por isso que o governo esteja tão magoado com a articulação do candidato Flávio Bolsonaro. Sua visita mostrou que o encontro de Lula com Trump não passou de um atendimento protocolar e burocrático, articulado nos bastidores com a participação de Joesley Batista, um dos controladores da JBS.

E aqui está um detalhe que não pode ser omitido: a Pilgrim’s Pride, empresa norte-americana controlada majoritariamente pela JBS, doou US$ 5 milhões ao comitê de posse de Donald Trump e J.D. Vance. Foi a maior contribuição individual divulgada para o fundo inaugural do presidente americano.

Portanto, não se trata de uma doação pessoal de Joesley Batista à campanha eleitoral de Trump. Trata-se de uma doação milionária feita por uma empresa vinculada ao grupo controlado pelos irmãos Batista ao comitê responsável pela posse do presidente americano. A correção do fato não reduz sua relevância política. Ao contrário: torna ainda mais evidente o peso econômico e a capacidade de influência que cercaram a aproximação entre Lula e Trump.

Enquanto a visita do atual presidente resultou em uma coletiva de imprensa ridícula, o mero candidato da oposição foi responsável pela materialização do pior pesadelo da esquerda: o reconhecimento de seus amados e protegidos faccionados pelo status que realmente merecem.

Narcoterroristas.