SALMOS 42
 1 Como o cervo anseia pelas correntes das águas, assim a minha alma anseia por ti, ó Deus!
2 A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e verei a face de Deus?
3 As minhas lágrimas têm sido o meu alimento de dia e de noite, porquanto se me diz constantemente: Onde está o teu Deus?
4 Dentro de mim derramo a minha alma ao lembrar-me de como eu ia com a multidão, guiando-a em procissão à casa de Deus, com brados de júbilo e louvor, uma multidão que festejava.
5 Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação que há na sua presença.
6 Ó Deus meu, dentro de mim a minha alma está abatida; porquanto me lembrarei de ti desde a terra do Jordão, e desde o Hermom, desde o monte Mizar.
7 Um abismo chama outro abismo ao ruído das tuas catadupas; todas as tuas ondas e vagas têm passado sobre mim.
8 Contudo, de dia o Senhor ordena a sua bondade, e de noite a sua canção está comigo, uma oração ao Deus da minha vida.
9 A Deus, a minha rocha, digo: Por que te esqueceste de mim? por que ando em pranto por causa da opressão do inimigo?
10 Como com ferida mortal nos meus ossos me afrontam os meus adversários, dizendo-me continuamente: Onde está o teu Deus?
11 Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele que é o meu socorro, e o meu Deus.

Esperamos a felicidade a cada dia, desejamos incansavelmente o prazer, o conforto e a estabilidade. Fugimos de tudo que não podemos controlar, somos iludidos com a certeza de que estamos dirigindo e controlando nossas vidas. Na realidade tentamos camuflar, esconder e nos desviar de tudo que possa nos causar dor.

Evitamos pensar sobre o sofrimento, passamos nossos dias como se não existisse nada que pudesse nos atingir. Se alguém fala sobre a morte logo alguém diz: – Vamos mudar de assunto. Ou então: Isso conversa para essa hora? – Tem criança na sala. – Não fala disso que atrai…

A verdade é que todo ser humano é refém de uma condição comum, a tragédia e inevitável. A dor e o sofrimento estão, estiveram ou estarão presentes na vida de cada ser humano, de em suas mais diversas modalidades. Habitamos em uma realidade corrompida,  uma imagem desfocada distante da verdadeira obra projetada pelo criador. 

Existir, nesse mundo, é uma aventura perigosa nosso corpo físico e nossas emoções são frágeis e podem ser dilacerados a qualquer momento. Aliás, é uma questão de tempo até nos depararmos com uma situação que ira esmagar nossa alma. Algumas dessas razões são naturais, ou pelo menos, parecem ser a ordem natural das coisas.

A creditamos que fé em Cristo será suficiente para aplacar nosso sofrimento, pensamos em nosso íntimo que mesmo nas piores situações como que por mágica seremos poupados da dor. Até que o pior acontece e subitamente submergimos numa avalanche de lágrimas que parece afogar nosso espírito e sufocar nossa fé. Somos confrontados em nossas convicções mais firmes. E acabamos como o salmista:

Salmos 42:3 – As minhas lágrimas têm sido o meu alimento de dia e de noite, porquanto se me diz constantemente: Onde está o teu Deus?

Nossa alma parece não enxergar mais a fidelidade de Deus, toda nossa frágil estrutura fica exposta. Os vergalhões enferrujados á céu aberto revelam a debilidade das colunas da nossa fidelidade, o concreto arenoso da fé humana é desfeito pelo vento, parecemos uma construção antiga.  Alguém olha e diz: esse prédio deve ter sido muito bonito, mas agora o jeito é demolir.

Muitas vezes desejamos ser demolidos. O sofrimento parece tão duro e solitário que no íntimo cogitamos: Quem sabe assim a dor não acaba…

A pergunta em nosso coração é: por quê?

A verdade é que na maioria das vezes não conseguimos enxergar o propósito do nosso sofrimento. E mesmo quando identificamos a razão de estarmos passando por alguma situação trágica, ela não é suficiente para aplacar a dor e a tristeza.    

Jó 1-20 Então Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a sua cabeça e, lançando-se em terra, adorou;

21 e disse: Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá. O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor.

É preciso estar convicto de uma realidade irrefutável : ESTAMOS DEBAIXO DA SOBERANIA E DA VONTADE DE DEUS.

O versículo 21 do capitulo 1 do livro de Jó é uma das declarações mais impactantes das escrituras. Aceitar o bem e o mal, a dor e a felicidade, como atos soberanos da vontade de Deus.

 Romanos 12 – 2 E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.

É estranho, mas, existe uma razão para experimentarmos o sofrimento. Apesar de sermos bombardeados diariamente por pregadores das mais diversas denominações afirmando que os verdadeiros cristãos estão imunes às mazelas da vida, a bíblia está recheada de crentes fieis que enfrentaram provações, doenças e até mesmo o martírio.  A teologia que prega que o bem estar físico e financeiro como sinais da benção de Deus e a ausência dele como prova de pouca fé, alem de afrontar a palavra de Deus impõe aos fieis desta crença falsas esperanças e sofrimento adicional.

Contudo, a bíblia nos ensina um remédio eficaz para amenizar a solidão do sofrimento e as dores da condição humana:

II Samuel 12:20 – Então Davi se levantou da terra, lavou-se, ungiu-se, e mudou de vestes; e, entrando na casa do Senhor, adorou. Depois veio a sua casa, e pediu o que comer; e lho deram, e ele comeu.

Neste trecho de II Samuel Davi acaba de descobrir que seu filho está morto, ele já havia sofrido, pedido a misericórdia de Deus, jejuado e se isolado quando finalmente recebe a notícia. Observe que em nenhum momento Davi “toma posse da benção” ou “determina a cura do menino” ou mesmo “reivindica”. Davi se submete a vontade de Deus, espera com o rosto em terra pela resposta do Senhor e recebe o que não desejava da parte do Criador. A análise aqui não é dos motivos que levaram a morte do menino, mas, a reação que o rei teve em relação ao sofrimento pelo qual estava passando.

Davi se levanta e adora ao Senhor! E depois com uma atitude de fé e confiança na soberania do criador decide recomeçar sua vida, decide sair do luto. Mesmo que a dor não passe de imediato é preciso reconciliar-se com a vida e recomeçar, confiando e crendo.

Através do louvor e da adoração nos relacionamos com o criador. Por meio do relacionamento com o pai somos expostos a influência e a ação do Espírito Santo, o consolador. Quanto mais nos relacionarmos com Deus mais expostos à influência do consolador e por conseqüência conseguimos enfrentar melhor a dor.

 As escrituras não prometem uma vida de conforto e sem sofrimento, mas, por meio do relacionamento com altíssimo encontramos consolo e refrigério em Deus soberano e em seu Espírito consolador.